IELP NA MÍDIA | Novo vazamento reforça necessidade de atuação da ANPD, dizem advogados

Após comer­ci­a­li­zar dados que incluíam 223 milhões de CPFs, 40 milhões de CNPJs e 104 milhões de regis­tros de veí­cu­los, um fórum de inter­net ofe­re­ce ago­ra aces­so a outras infor­ma­ções de 112 milhões de bra­si­lei­ros, incluin­do What­sApp, pro­fis­são, fai­xa sala­ri­al e até o cadas­tro no Bol­sa Família.

Segun­do repor­ta­gem de O Esta­do de S. Pau­lo, o hac­ker dis­po­ni­bi­li­za, inclu­si­ve, uma “amos­tra grá­tis” com dados de cer­ca de 250 mil pes­so­as, que pode ser bai­xa­da por qual­quer inte­res­sa­do. Para advo­ga­dos, o novo vaza­men­to refor­ça a neces­si­da­de de uma mai­or atu­a­ção da ANPD (Auto­ri­da­de Naci­o­nal de Pro­te­ção de Dados).

André Dami­a­ni, cri­mi­na­lis­ta espe­ci­a­li­za­do em Direi­to Penal Econô­mi­co pela GV-Law e sócio fun­da­dor do Dami­a­ni Soci­e­da­de de Advo­ga­dos, diz que, “se as auto­ri­da­des com­pe­ten­tes, como por exem­plo a ANPD, não come­ça­rem a agir, com­ba­ter e repre­en­der essas expo­si­ções mas­si­vas, em um futu­ro pró­xi­mo não terão mais dados pes­so­ais para pro­te­ger, já que todos estão sen­do expos­tos dia após dia”.

Wil­son Sales Bel­chi­or, sócio do RMS Advo­ga­dos e con­se­lhei­ro fede­ral da OAB, enten­de que os inci­den­tes refor­çam, “de um lado, a urgên­cia de a ati­vi­da­de regu­la­tó­ria da ANPD con­si­de­rar expres­sa­men­te o tema da segu­ran­ça ciber­né­ti­ca e, de outro, a neces­si­da­de de medi­das edu­ca­ti­vas que cola­bo­rem para dis­se­mi­nar na soci­e­da­de uma cul­tu­ra de pro­te­ção de dados”.

“É indis­pen­sá­vel que as orga­ni­za­ções, em geral, ado­tem medi­das de segu­ran­ça da infor­ma­ção e pro­gra­mas de gover­nan­ça em pri­va­ci­da­de e pro­te­ção de dados. Toda­via, essas ini­ci­a­ti­vas somen­te serão sufi­ci­en­tes, caso se reco­nhe­ça a impor­tân­cia de ensi­nar efe­ti­va­men­te as pes­so­as a res­pei­to de sal­va­guar­das fren­te a vul­ne­ra­bi­li­da­des ciber­né­ti­cas”, opina.

Já para Feli­pe Rudá Selai­men de Pai­va, do núcleo de LGPD do Nel­son Wili­ans Advo­ga­dos, o novo caso demons­tra como o Bra­sil está aquém de outros paí­ses em ques­tões envol­ven­do a pri­va­ci­da­de dos dados pes­so­ais. “De janei­ro para cá, após o mega­va­za­men­to de infor­ma­ções de mais de 220 milhões de bra­si­lei­ros, pro­ce­di­men­tos de inves­ti­ga­ção foram ins­tau­ra­dos, mas sem a indi­ca­ção dos res­pon­sá­veis e ori­gem dos dados colo­ca­dos à ven­da, até o momen­to”, diz.

O pre­si­den­te do Ins­ti­tu­to de Estu­dos Legis­la­ti­vos e Polí­ti­cas Públi­cas (IELP), Rapha­el Sodré Cit­ta­di­no, tam­bém pro­fes­sor de Direi­to do IDP, pon­de­ra que, ape­sar de o Bra­sil pos­suir atu­al­men­te uma polí­ti­ca naci­o­nal de pro­te­ção de dados e uma Auto­ri­da­de Naci­o­nal de Pro­te­ção de Dados — cri­a­dos, ambos, pela LGPD —, as san­ções pre­vis­tas para empre­sas e auto­ri­da­des gover­na­men­tais que vazem dados ou não coí­bam o seu vaza­men­to só pas­sa­rão a valer a par­tir de agos­to des­te ano. Até lá, segun­do ele, as polí­ci­as e o Minis­té­rio Públi­co pre­ci­sam tra­ba­lhar com os ins­tru­men­tos jurí­di­cos que exis­tem, como o Códi­go Penal.

“Os cida­dãos, os empre­ga­dos e os ser­vi­do­res públi­cos tam­bém podem aci­o­nar, judi­ci­al­men­te, por per­das e danos, as empre­sas e gover­nos que não tra­ta­rem ade­qua­da­men­te os seus dados, faci­li­tan­do vaza­men­tos, já que, ape­sar das san­ções da LGPD não esta­rem vigen­tes, isso não reti­ra a obri­ga­to­ri­e­da­de de cui­da­do com os dados que a lei impôs”, decla­ra Cittadino.

Ele enfa­ti­za que a situ­a­ção é gra­vís­si­ma e expõe a vul­ne­ra­bi­li­da­de dos dados pes­so­ais em um mun­do em que tais infor­ma­ções são cole­ta­das por uma infi­ni­da­de de pres­ta­do­res de ser­vi­ço. “Sem um sis­te­ma robus­to de inves­ti­ga­ção des­ses cri­mes, isso vai ser ain­da mais fre­quen­te, já que os dados são um ati­vo econô­mi­co fun­da­men­tal no mun­do de hoje, de alto valor agre­ga­do, e o seu com­par­ti­lha­men­to inde­vi­do não gerou até hoje nenhu­ma gran­de consequência.”

Aces­se a repor­ta­gem em: https://www.conjur.com.br/2021-mar-16/vazamento-reforca-necessidade-atuacao-anpd

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