IELP NA MÍDIA | Para especialistas, restrições por falta de orçamento não afetam vacinação

Recur­sos para cam­pa­nha garan­ti­dos
Con­gres­so não apro­vou LOA de 2021

A não apro­va­ção da LOA (Lei Orça­men­tá­ria Anu­al) para 2021 não deve­rá impe­dir a rea­li­za­ção de uma cam­pa­nha naci­o­nal de imu­ni­za­ção con­tra a covid-19, ape­sar de impor res­tri­ções aos gas­tos do gover­no fede­ral. Na ava­li­a­ção de espe­ci­a­lis­tas, o orça­men­to de guer­ra e cré­di­to extra­or­di­ná­rio garan­ti­rão recei­ta para a aqui­si­ção e dis­tri­bui­ção de imunizantes.

De acor­do com o pre­si­den­te do Ielp (Ins­ti­tu­to de Estu­dos Legis­la­ti­vos e Polí­ti­cas Públi­cas), Rapha­el Sodré Cit­ta­di­no, sócio-fun­da­dor do Cit­ta­di­no, estão pre­vis­tos no orça­men­to de guer­ra R$ 20 bilhões para a vaci­na­ção da popu­la­ção –“e o que pas­sar dis­so será esta­be­le­ci­do por cré­di­to extraordinário”.

O advo­ga­do afir­mou que a libe­ra­ção des­sa ver­ba adi­ci­o­nal tem uma con­di­ci­o­nan­te: o cum­pri­men­to da meta fis­cal fixa­da na LDO (Lei de Dire­tri­zes Orça­men­tá­ri­as). “A ver­da­de é que, dian­te da reces­são e da fol­ga no defi­cit pre­vis­to para 2021, a Lei Orça­men­tá­ria Anu­al virou pra­ti­ca­men­te uma lei sim­bó­li­ca, com pos­sí­veis con­sequên­ci­as para a cre­di­bi­li­da­de do país, mas sem efei­tos prá­ti­cos dire­tos para a administração”.

No enten­di­men­to de Cit­ta­di­no, o “gran­de pro­ble­ma” gera­do pela ausên­cia da LOA é a fal­ta de orga­ni­za­ção no âmbi­to do Exe­cu­ti­vo fede­ral. “Em um ano tão impor­tan­te, de recons­tru­ção da eco­no­mia, não é razoá­vel que a admi­nis­tra­ção públi­ca fede­ral tra­ba­lhe sem a lei orça­men­tá­ria em vigor”, disse.

“Isso aca­ba impac­tan­do na ima­gem do Bra­sil, além de minar a expec­ta­ti­va de refor­mas e de cri­a­ção ou refor­mu­la­ção de pro­gra­mas soci­ais no cur­to pra­zo”, com­ple­men­tou o pre­si­den­te do Ielp.

Na mes­ma linha, a advo­ga­da cons­ti­tu­ci­o­na­lis­ta Vera Che­mim, mes­tre em direi­to públi­co pela FGV, expli­ca que, “inde­pen­den­te da pan­de­mia em 2020”, tan­to a LOA como a LDO são “pla­ne­ja­das” pelo gover­no fede­ral e envi­a­das ao Con­gres­so Naci­o­nal “sem­pre tar­di­a­men­te” – o que sina­li­za­ria uma espé­cie de “negli­gên­cia crônica”.

Ela diz acre­di­tar que na atu­al con­jun­tu­ra de enfren­ta­men­to ao coro­na­ví­rus a dife­ren­ça entre as recei­tas e des­pe­sas cres­ce­rá. “O defi­cit nas con­tas públi­cas ten­de a se agra­var com o aumen­to expo­nen­ci­al de gas­tos des­ti­na­dos à impor­ta­ção e dis­po­ni­bi­li­za­ção de imu­ni­zan­tes para a erra­di­ca­ção do novo coro­na­ví­rus, sem con­tar com a ope­ra­ci­o­na­li­za­ção de des­pe­sas aces­só­ri­as, rela­ci­o­na­das com a com­pra de serin­gas e demais mei­os de combate”.

Vera Che­min refor­ça que mes­mo a aber­tu­ra dos cré­di­tos suple­men­ta­res está vin­cu­la­da à ade­qua­ção à meta de resul­ta­do pri­má­rio. “Ade­mais, a Cons­ti­tui­ção esta­be­le­ce que a aber­tu­ra de cré­di­tos suple­men­ta­res seja efe­tu­a­da com a auto­ri­za­ção do Con­gres­so Naci­o­nal, des­de que indi­que os recur­sos correspondentes”.

Outro dis­po­si­ti­vo rele­van­te, na visão da advo­ga­da, é o pará­gra­fo segun­do o qual só se admi­te a aber­tu­ra de cré­di­to extra­or­di­ná­rio para aten­der a dis­pên­di­os impre­vi­sí­veis e urgen­tes. “A difi­cul­da­de em admi­nis­trar as con­tas públi­cas não é nova e nem a pan­de­mia pode ser res­pon­sa­bi­li­za­da por um des­pre­zo his­tó­ri­co pelo seu resul­ta­do orçamentário”.

Repor­ta­gem publi­ca­da pelo por­tal Poder360: https://www.poder360.com.br/economia/para-especialistas-restricoes-por-falta-de-orcamento-nao-afetam-vacinacao/

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