IELP NA MÍDIA | Prefeitura de Mangaratiba é contra festas, mas não vetará evento de Neymar

A fes­ta de Réveil­lon pro­mo­vi­da por Ney­mar Jr., que teve iní­cio no últi­mo dia 25 e está pro­gra­ma­da para ter­mi­nar só depois da vira­da do ano, vem geran­do crí­ti­cas de mora­do­res de Man­ga­ra­ti­ba, cer­ca de 100 km da capi­tal do Rio de Janei­ro, onde o joga­dor tem casa. No entan­to, a pre­fei­tu­ra do muni­cí­pio, que can­ce­lou as cele­bra­ções públi­cas de vira­da de ano, diz que “não tem com­pe­tên­cia legal para limi­tar even­tos pri­va­dos” (con­fi­ra a nota com­ple­ta ao final da reportagem).

A Agên­cia Fábri­ca, res­pon­sá­vel pela orga­ni­za­ção do even­to, diz que a fes­ta rece­be­rá 150 pes­so­as. Sem men­ci­o­nar a cida­de de Man­ga­ra­ti­ba ou o nome de Ney­mar, a agên­cia afir­mou que o even­to acon­te­ce­rá com “todas as licen­ças dos órgãos neces­sá­ri­os” e que as “nor­mas sani­tá­ri­as deter­mi­na­das pelos órgãos públi­cos”. O can­tor Kevi­nho con­fir­mou que se apre­sen­tou na fes­ta ontem (27) e dis­se ter man­ti­do “o dis­tan­ci­a­men­to exi­gi­do”. O UOL ten­tou con­ta­to com a asses­so­ria de Ney­mar, mas não obte­ve res­pos­ta até a publi­ca­ção des­ta reportagem.

Segun­do a admi­nis­tra­ção públi­ca, os decre­tos que estão em vigor na cida­de “atin­gem dire­ta­men­te o uso do solo públi­co e de áre­as sob con­ces­são, a exem­plo de comér­ci­os, orlas e praças”.

No dia 7 de dezem­bro, o pre­fei­to de Man­ga­ra­ti­ba, Alan Cam­pos da Cos­ta (PP), assi­nou um ato nor­ma­ti­vo com reso­lu­ções para o fim de ano. Entre as nor­mas, está que “even­tos par­ti­cu­la­res que não pre­ci­sem de pré­via auto­ri­za­ção” pode­rão ser rea­li­za­dos de acor­do com outros dois decre­tos. Um deles, que tra­ta de nor­mas sani­tá­ri­as, fala da “proi­bi­ção de rea­li­za­ção de even­tos e a rea­li­za­ção de reu­niões pre­sen­ci­ais em áre­as fecha­das, ou quan­do não for pos­sí­vel tal medi­da, redu­ção do núme­ro de par­ti­ci­pan­tes e duração”.

O ato nor­ma­ti­vo tam­bém fala de algu­mas reco­men­da­ções, como rea­li­zar “reu­niões peque­nas, encon­tran­do pre­sen­ci­al­men­te as pes­so­as que morem com você, com­par­ti­lhe os mes­mos ambi­en­tes e este­ja toman­do todos os cui­da­dos para se pro­te­ger do novo coronavírus”.

Em nota envi­a­da ao UOL, a pre­fei­tu­ra refor­çou que “a não rea­li­za­ção de even­tos par­ti­cu­la­res é uma ques­tão de res­pon­sa­bi­li­da­de soci­al e bom sen­so do cida­dão dian­te a pandemia”.

Segun­do o últi­mo bole­tim infor­ma­ti­vo do Man­ga­ra­ti­ba, divul­ga­do no dia 23 de dezem­bro, a cida­de tem 1.698 casos con­fir­ma­dos e 46 mor­tes por Covid-19.

Advo­ga­dos ouvi­dos pelo UOL refor­çam que a pre­fei­tu­ra não te poder de polí­cia ou de impe­dir que a fes­ta seja rea­li­za­da. No entan­to, des­ta­cam que os decre­tos muni­ci­pais são “pre­cá­ri­os”.

Segun­do Rapha­el Sodré Cit­ta­di­no, pre­si­den­te do Ins­ti­tu­to de Estu­dos Legis­la­ti­vos e Polí­ti­cas Públi­cas (IELP), quem deve­ria regu­la­men­tar ati­vi­da­des como fes­tas seria a Vigi­lân­cia Sani­tá­ria, que detém o conhe­ci­men­to técnico.

O cor­re­to, nes­se caso, seria exis­tir uma lei muni­ci­pal ou uma deter­mi­na­ção da Vigi­lân­cia Sani­tá­ria. Há tem­po ain­da da Vigi­lân­cia, enten­do essa deter­mi­na­ção do pre­fei­to, atu­ar e noti­fi­car com vis­tas a proi­bir esse tipo de con­du­ta. De todo caso, é impor­tan­te reco­nhe­cer que o bom sen­so deve pre­va­le­cer. Even­tos pri­va­dos se dife­ren­ci­am dos even­tos públi­cos pela sua dimen­são e de afe­tar a sociedade.

Já Ceci­lia Mel­lo, sócia do Ceci­lia Mel­lo Advo­ga­dos, tam­bém refor­ça que, nes­se tipo de situ­a­ção, o bom sen­so deve­ria prevalecer.

A pre­fei­tu­ra não tem nenhum poder de polí­cia e não pode impe­dir a fes­ta. O Minis­té­rio Públi­co, na fun­ção de zelar pela soci­e­da­de, com outros fun­da­men­tos, rela­ti­vos ao esta­do de cala­mi­da­de públi­ca e emer­gên­cia, com base na legis­la­ção fede­ral, tem poder juris­di­ci­o­nal caso encon­tre algu­ma violação.

Rapha­el e Ceci­lia tam­bém des­ta­cam que, caso a fes­ta de Ney­mar resul­te em infec­ções pelo novo coro­na­ví­rus, o joga­dor pode­rá res­pon­der cri­mi­nal­men­te pelo arti­go cri­me pre­vis­to no arti­go 267, pará­gra­fo 2º, do Códi­go Penal, que diz res­pei­to a “cau­sar epi­de­mia, medi­an­te a pro­pa­ga­ção de ger­mes pato­gê­ni­cos” de for­ma cul­po­sa. A pena é de um a dois anos de reclusão.

 

Con­fi­ra a nota da Pre­fei­tu­ra de Man­ga­ra­ti­ba na íntegra

A Pre­fei­tu­ra de Man­ga­ra­ti­ba infor­ma que não tem com­pe­tên­cia legal para limi­tar even­tos pri­va­dos rea­li­za­dos em resi­dên­ci­as particulares.

Os decre­tos em vigor no muni­cí­pio rela­ci­o­na­dos ao con­tro­le da Pan­de­mia atin­gem dire­ta­men­te o uso do solo públi­co e de áre­as sob con­ces­são, a exem­plo de comér­ci­os, orlas e praças.

A ori­en­ta­ção da Pre­fei­tu­ra, caso haja algu­ma cele­bra­ção de fim de ano em pro­pri­e­da­de par­ti­cu­lar, é que sejam res­pei­ta­dos pro­to­co­los de pre­ven­ção con­tra a COVID como a não rea­li­za­ção de aglo­me­ra­ções, uso regu­lar de álco­ol gel, higi­e­ni­za­ção cons­tan­te do local e uso obri­ga­tó­rio de más­ca­ras, além de refor­ço para a pro­te­ção para pes­so­as com comor­bi­da­des e idosos.

A não rea­li­za­ção de even­tos par­ti­cu­la­res é uma ques­tão de res­pon­sa­bi­li­da­de soci­al e bom sen­so do cida­dão dian­te a pandemia

Por fim, vale lem­brar que a nota da agên­cia Fábri­ca não cita a Pre­fei­tu­ra de Mangaratiba.

 

Publi­ca­do por UOL: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2020/12/28/prefeitura-de-mangaratiba-e-contra-festas-mas-nao-vetara-evento-de-neymar.amp.htm

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